#Resenha: Garota Exemplar – Gillian Flynn

“Quando penso em minha esposa, penso sempre em sua cabeça. No formato dela, em primeiro lugar. Quando nos conhecemos, foi na parte de trás da cabeça que eu reparei, e havia algo adorável nela, em seus ângulos. (…) Eu reconheceria sua cabeça em qualquer lugar. E o que havia dentro dela. Também penso nisso: sua mente. Seu cérebro, todas aquelas espirais, e seus pensamentos disparando por essas espirais como centopeias rápidas e frenéticas. Como uma criança, eu me imagino abrindo seu crânio, desenrolando seu cérebro e vasculhando-o, tentando capturar e entender seus pensamentos. No que você está pensando, Amy? A pergunta que eu fiz com maior frequência durante nosso casamento, embora não em voz alta, não à pessoa que poderia responder. Suponho que essas indagações pairem como nuvens negras sobre todos os casamentos: No que você está pensando? Como está se sentindo? Quem é você? O que fizemos um ao outro? O que iremos fazer?”

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A história de Garota Exemplar começa no dia do quinto aniversário de casamento de Amy e Nick Dunne. Começamos a acompanhar os pensamentos de Nick, relembrando o desenrolar dos fatos que os levou ao ponto em que estão em seu casamento. As dificuldades financeiras e um problema familiar levam Nick a decidir pela mudança de Nova Iorque para sua pequena cidade natal no Missouri…levando consigo sua esposa Amy. Esta mudança não estava nos planos de Amy e, logo, ela não escondia sua frustração.

“Eu a estava arrastando, como um homem das cavernas, para uma cidade que ela evitara agressivamente, e a obrigaria a viver no tipo de casa da qual costumava debochar. Suponho que não seja um acordo se apenas um dos dois vê dessa forma, mas nossos acordos eram sempre assim. Um de nós sempre estava com raiva. Normalmente Amy.”

"Existe uma diferença entre realmente amar alguém e amar a ideia dessa pessoa."

“Existe uma diferença entre realmente amar alguém e amar a ideia dessa pessoa.”

Quando, então, Nick chega em casa e a encontra revirada e sem sinais de Amy, a polícia logo passa a considerá-lo o principal suspeito. A necessidade constante que Nick sente em agradar às pessoas faz com que ele tenha reações atípicas e suspeitas no desenrolar da trama, como sorrir na coletiva de imprensa sobre sua esposa desaparecida.

Mas, será que é somente isto? Poderia Nick ser realmente culpado?

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A primeira parte do livro faz com que esta dúvida aumente a cada minuto. Os dias passam e as mentiras que Nick disse à polícia continuam a vir à tona. E sua descrição de Amy parece confusa e errônea quando comparadas à versão dela descrita em seu diário.

E aqui temos a primeira sacada genial do livro. Os capítulos são alternados entre Nick e Amy. Nos de Nick, acompanhamos os fatos em tempo real, desde o dia do desaparecimento de Amy e nos dela, temos a leitura de seu diário, que conta desde o início do relacionamento deles.

Enquanto a Amy que Nick descreve é rancorosa e está constantemente insatisfeita com sua relação, a Amy que nos é apresentada no diário é doce e loucamente apaixonada por seu marido, que não a compreende e desconta todas as suas frustações nela.

Qual seria a versão real? E, se Nick é inocente, por que tantas mentiras?

"O amor faz com que você queira ser um homem melhor. Mas talvez o amor, o verdadeiro amor, também lhe dê permissão para que seja somente o homem que é."

“O amor faz com que você queira ser um homem melhor. Mas talvez o amor, o verdadeiro amor, também lhe dê permissão para que seja somente o homem que é.”

E, finalmente, após sete dias de seu desaparecimento, finalmente conhecemos a verdade.

Toda a primeira parte é sensacional, construindo a tensão, nos aproximando dos personagens e criando grandes dúvidas. Mas a segunda parte é o ponto alto do livro.

Amy sem dúvidas é um dos personagens mais bem construídos que já tive o prazer de ler. Desde sua infância, teve que conviver com a sombra da Amy Exemplar, personagem de uma série de livros infantis que seus pais criaram para mostrar como eles esperavam que ela agisse. Ou seja, Amy sempre esteve abaixo das expectativas, sempre tendo que lutar para superar padrões inatingíveis.

“Até Nick, eu nunca me sentira como uma pessoa de verdade, porque sempre fui um produto. Amy Exemplar tinha de ser brilhante, criativa, gentil, atenciosa, esperta e feliz. Só queremos que você seja feliz. Rand e Marybeth diziam isso o tempo todo, mas nunca explicaram como. Tantas lições, oportunidades e vantagens, e eles nunca me ensinaram como ser feliz. Lembro-me de sempre ficar perplexa com as outras crianças. Eu ia para uma festa de aniversário, via as outras crianças rindo e fazendo caretas, e tentava fazer também, mas não entendia por quê. Ficava sentada ali com o elástico do chapéu de aniversário apertando meu queixo, com a cobertura granulada do bolo deixando meus dentes azuis, e tentava entender por que aquilo era divertido.”

Amy é complexa, intensa e passa longe dos estereótipos de personagens femininos a que estamos acostumados. O que torna o livro excepcional!

Se você ainda não leu Garota Exemplar, comece agora! E assista ao filme, que faz jus à obra que representa (apesar do livro ainda ser bem melhor!).

"É um tanto perturbador recordar uma lembrança calorosa e sentir-se profundamente frio."

“É um tanto perturbador recordar uma lembrança calorosa e sentir-se profundamente frio.”

“Não tenho mais nada a acrescentar. Só queria garantir que eu tivesse a última palavra. Acho que fiz por merecer.”

#Resenha: O Leopardo – Jo Nesbø

“Øystein disse que você ficou tão machucado porque não quis desistir de jeito nenhum. Você se levantava de novo e de novo e por fim estava tão ensanguentado que os rapazes maiores ficaram com medo e deram no pé.

Olav Hole riu baixinho.

— Eu achava que não podia te dizer naquela época, seria encorajar a entrar em brigas. Mas eu me sentia tão orgulhoso que podia chorar. Você era tão corajoso, Harry. Tinha medo do escuro, mas isso não te impedia de andar na escuridão. E eu era o pai mais orgulhoso do mundo. Alguma vez te disse isso, Harry? Harry? Está aí?”

O Leopardo – Jo Nesbø

Jo Nesbø já foi jogador profissional de futebol e vocalista e guitarrista de uma banda de pop rock. Mas problemas no joelho e a decisão de deixar o ramo musical, o trouxeram para o que seria seu grande hit: escrever romances policiais.

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O primeiro contato que tive com seus livros, foi com Boneco de Neve. Assim que li a sinopse foi impossível resistir.

 “Considerado seu livro mais ambicioso pelo jornal inglês The Guardian e comparado a Silêncio dos Inocentes, de Thomas Harris, pelo The Times, Boneco de neve é um livro arrepiante. No dia da primeira neve do ano, na fria cidade de Oslo, o inspetor Harry Hole se depara com um psicopata cruel, que cria suas próprias regras. O terror se espalha pela cidade, pois um boneco de neve no jardim pode ser um aviso de que haverá uma próxima vítima. No caso mais desafiador da sua carreira, Hole se envolve em uma trama complexa e mortal, com final surpreendente.”

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O livro traz como personagem principal o detetive Harry Hole. Apesar de seu indiscutível talento, que o levou a ser escolhido para participar de um curso sobre serial killers, com o FBI, Harry está mais próximo de um problema do que de uma solução para o Departamento de Homicídios de Oslo. Além de seu temperamento difícil de controlar, Harry é alcoólatra e constantemente atormentado por casos e erros do passado. Ou seja, a personificação perfeita de um anti-herói. Mas tudo isto só torna o personagem ainda mais atraente. Charme que ele usa muitas vezes sem escrúpulos.

“Harry ouviu a formalidade na sua voz. A voz de um homem sem capacidade de perdoar, sem consideração, sem pensar em nada além das próprias metas. E aplicou a técnica de convencer invertida, com a qual tinha êxito com demasiada frequência (…).”

Em O Leopardo, a polícia se vê as voltas com um novo psicopata e precisa novamente da ajuda de Hole, que desapareceu depois da resolução do caso do Boneco de Neve. E cabe a detetive Kaja Solness encontrar Harry e trazê-lo de volta. Mas as cicatrizes deixadas pelo último caso desta vez são muito mais profundas e pessoais. Tendo perdido seus únicos pontos de equilíbrio, Hole se refugiou em Hong Kong e busca no ópio uma fonte de entorpecimento para o passado.

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A única carta na manga a ser usada pra trazê-lo de volta é a doença de seu pai. O que nos leva a alguns dos melhores trechos do livro. Em seus diálogos com o pai, podemos ter uma visão melhor da formação da personalidade de Harry.

Mas não foi somente a necessidade de capturar o assassino que levou o departamento a ir atrás de Hole. Há uma verdadeira guerra política acontecendo entre a Divisão de Homicídios e a Kripos sobre quem terá prioridade nos melhores casos e acesso aos recursos. Ou seja, não é necessário somente resolver o caso, mas resolvê-lo primeiro. E neste contexto, entra Mikael Bellman, o chefe da Kripos totalmente voltado para a ascensão social e que não tem a intenção de facilitar em nada as coisas para Harry.

A história é muito bem desenvolvida e nos prende a cada página.  E, mais uma vez, o detetive se vê muito mais próximo ao assassino do que poderia imaginar. A tensão emana em cada parágrafo.

“Prendeu a respiração para captar os ruídos. Não ouviu nada, mas notava uma presença. Como um leopardo. Alguém lhe contara que o leopardo era tão silencioso que podia esgueirar-se para pertinho da presa no escuro, e podia ajustar o fôlego para respirar no mesmo ritmo que você. Podia prender a respiração quando você prendia a sua. Ela tinha certeza de que podia sentir o calor do corpo dele. O que ele estava esperando? Ela voltou a respirar. No mesmo instante sentiu o hálito de alguém na nuca. Ela se virou, golpeou, mas acertou apenas o ar. Ela se encolheu, tentou se encolher, se esconder. Em vão. Quanto tempo havia ficado desacordada? O efeito da droga estava quase no fim. A sensação durou apenas uma fração de segundo. Mas foi o suficiente para dar-lhe o presságio, a promessa. A promessa do que estava por vir.”

Boneco de Neve e O Leopardo são, respectivamente, o sétimo e oitavo volume da série de Harry Hole. O primeiro volume, Garganta Vermelha, recebeu diversos prêmios da crítica e Boneco de Neve teve seus direitos comprados para a produção de um filme por Martin Scorsese. Os livros de Jo Nesbø trazem o que há de melhor no gênero policial e o autor virou um dos meus favoritos no gênero, junto com Stieg Larsson, da Trilogia Millenium. Aguardando ansiosa pelo filme e pelo próximo livro da série!

Martin Scorsese adquiriu os direitos para o filme de Boneco de Neve

Martin Scorsese adquiriu os direitos para o filme de Boneco de Neve.

“I think it’s possible to learn. The problem is that we learn so damned slowly, so that by the time you’ve realized something, it’s too late.” 

#Resenha: Não Sou uma Dessas – Lena Dunham

“Não tem problema mudar de ideia. Sobre um sentimento, uma pessoa, uma promessa de amor. Não posso continuar só para não me contradizer.”

Não sou uma dessas – Lena Dunham

A primeira vez que ouvi falar sobre Lena Dunham foi antes da estreia de Girls, o seriado da HBO, que foi divulgado como a nova Sex and the City. Claro que como boa fã que sou de Carrie Bradshaw, fui conferir, apesar de achar que dificilmente algo seria parecido. E realmente, não havia a menor semelhança! Apesar das duas séries apresentarem a vida de quatro amigas e Nova Iorque como plano de fundo, elas não poderiam estar mais distantes. Sex and the City foi e continua sendo uma das séries mais glamourosas já feitas e Girls nos apresentava um outro extremo, outro tempo e uma realidade tão crua, que praticamente gritava em nossa cara. Com personagens cheios de novos dilemas, uma geração que não tem nenhuma segurança financeira e ainda está longe de descobrir o que realmente quer de sua vida e como fazer isso acontecer, principalmente. Isso incomodou muita gente, talvez por ser uma verdade que ninguém quer ver estampada em uma série de TV. Mas, é daí, que vem toda a sua genialidade!

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Lena é criadora, produtora e personagem principal da série. Tudo isso, em um universo tão dominado pelos homens, como os estúdios americanos, já seria um grande feito. Mas é em sua honestidade brutal e visão cruelmente realista de si mesma, que ela consegue causar um grande impacto. Principalmente, com a Hannah, personagem que interpreta. Hannah é infantil, indecisa e muitas vezes absurdamente irritante, apesar de todo o seu potencial e inteligência. E ficava a dúvida, seria ela um espelho da Lena?

A voz de uma geração!

A voz de uma geração!

Eis que surge então seu livro autobiográfico: Não sou uma dessas. E finalmente, essa dúvida seria esclarecida. Junto com muitas outras, como o que ela realmente acha que tem para contar em um livro? E, sim, Hannah e Lena são iguais. E são maravilhosas! Sua sinceridade fica ainda mais evidente em seu livro, que começa já impactante: “Tenho vinte anos e me odeio. Meu cabelo, meu rosto, o formato da minha barriga. A maneira como minha voz soa hesitante e meus poemas soam piegas”.

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“As piores coisas que você diz soam melhor que as melhores coisas que as outras pessoas dizem.”

Em 300 páginas, Lena discute e nos apresenta sua experiência em seções:  Amor & Sexo, Corpo, Amizade, Trabalho e Panorama. Apesar de todas serem excelentes, é quando discute sobre autoestima e percepção de si mesma que ela se torna brilhante. Lena está fora dos padrões de beleza e, apesar de nos contar com detalhes sua relação conturbada com seu peso (trazendo em uma parte até seu diário alimentar!), ela também consegue lidar com tudo isso de uma forma que poucas mulheres, consideradas lindas pelos padrões, conseguiriam. No capítulo em que fala sobre suas cenas de nudez na série e no cinema, isto fica evidente:

“Mais tarde, assistindo à gravação no laboratório de mídia de Oberlin, não me senti envergonhada. Não adorava o que via, mas também não odiava. Meu corpo era só uma ferramenta para contar uma história.”

“Os atores profissionais sempre dão respostas prontas, como “É apenas um trabalho, é muito mecânico” ou “Foi muito legal trabalhar com ele, ele é como um irmão”, mas, como ninguém nunca me acusou de ser profissional ou atriz, serei honesta. É estranho pra cacete.”

“Ficar nua é melhor em alguns dias do que em outros. (…) Mas faço isso porque o meu chefe manda. E o meu chefe sou eu. Quando se está nua, é bom estar no controle.”

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“Eu não gosto de mulheres dizendo a outras mulheres o que fazer ou como fazer ou quando fazer.”

Ela não é 100% segura de si mesma ou de sua aparência e nem precisa ser. Afinal de contas, quem escolhe o que é ser bonito? E quem disse que isso é o que mais importa?

O livro é honesto, sensível e, só de escrever sobre ele, já tenho vontade de ler de novo! A edição também é linda e cheia de ilustrações. Vale a pena, mesmo que você não goste de Girls ou da Lena. Este livro pode te fazer mudar de opinião!

Meu quote favorito:

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Para finalizar, vi esta declaração da Mindy Kaling sobre ser sempre questionada por ser confiante e achei tão incrível que poderia ter um post só para ela, mas coloco aqui porque me remete aos mesmos sentimentos que tive ao ler este livro.

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Penny Dreadful

E lá se foi o Carnaval…

Bora voltar à rotina com série boa e livros melhores ainda??

Quando vi a sinopse e trailer de Penny Dreadful, de cara já me chamou a atenção! Afinal de contas, uma boa série de terror nunca é demais, principalmente se ela traz personagens de algumas das melhores obras do gênero. Mas, assim que terminei de assistir o piloto, já vi que era bem mais do que esperava. As atuações são excelentes e enredo é incrível, conseguindo construir uma história em que personagens tão distantes, como Drácula, Dr. Frankenstein e Dorian Gray aparecem no mesmo contexto. É uma série que você não consegue parar de assistir!

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Segue sinopse oficial:

Penny Dreadful é uma série de terror com toques sobrenaturais que se passa na cidade de Londres na época vitoriana. A história conta com personagens clássicos da literatura como Frankenstein, Conde Drácula e Dorian Gray. Seus contos de horror, origem e formação se misturam à narrativa dos protagonistas. A série é estrelada pelos atores Josh Hartnett, Eva Green e Billie Piper, e conta com Sam Mendes como produtor executivo da atração.

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O nome da série é uma referência às publicações vendidas na Inglaterra no século 19, que eram assim chamadas por custarem apenas um penny. Feitas em papel de baixa qualidade, eram publicações periódicas que levavam um entretenimento barato para a classe operária inglesa, cheio de histórias sanguinolentas e macabras, sobre monstros e assassinos.

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Penny dreadful

Durante o decorrer da série, podemos distinguir vários elementos dos livros que a inspiraram, mesmo que a história dos personagens tenha sido modificada para mesclá-los em um único enredo. A mudança mais brusca que se pode ver é na história do Dr. Frankenstein e sua criatura. Mas, ao invés de decepcionar os fãs da história original, só a faz ficar ainda mais interessante.

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Mas, o grande atrativo da série está nos personagens. Não há mocinhos em Penny Dreadful, todos tem um passado sombrio. Entre atuações primorosas, destaca-se Eva Green, que é a dona da série. Cada cena em que participa, consegue trazer uma faceta diferente à sua personagem, com uma intensidade que impressiona.

Eva Green

Eva Green

Quando comecei a assistir a primeira temporada, já havia lido Frankenstein, de Mary Shelley e Dracula, de Bram Stoker. Dois dos livros preferidos da vida! E logo tratei de cumprir uma meta antiga e ler O Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde. Livro sensacional e um dos clássicos da humanidade.

Todos estes livros, vão muito além de seu gênero, são acima do nível, e, no caso de Frankenstein e O Retrato de Dorian Gray, nos encaminham para grandes reflexões, sobre as consequências de nossas ações e vaidade.

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Não perca tempo e comece a assistir hoje…e a ler as obras também!

“It’s an invitation!” 

                       Vanessa Ives

#Friday13thBooks – Helter Skelter e Manson

Fato 1: Muito amor por 6º feiras 13! Filmes de terror passando na TV e climão!!!

Fato 2: A história dos assassinatos Tate-LaBianca é muito impressionante e Helter Skelter é um livro sensacional!

Conclusão: Dia perfeito para iniciar o blog!

“When I get to the bottom I go back to the top of the slide 
Where I stop and I turn and I go for a ride
Till I get to the bottom and I see you again. 

                                                                Helter Skelter – Beatles

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Ano passado, assistindo ao canal da Tati Feltrin, descobri o livro Helter Skelter, escrito pelo promotor dos casos Tate-LaBianca Vincent Bugliosi, em parceria com Curty Gentry. O livro já me chamou a atenção de cara por ser escrito por alguém que realmente presenciou todo o desenrolar do caso, que teve acesso a todas as evidências e contato com todos os envolvidos.

Sobre o caso:

Na noite de 9 de agosto de 1969, Sharon Tate, esposa de Roman Polanski, e outras quatro pessoas – Jay Sebring, Abigail Folger, Wojciech Frykowski e Steven Parent – foram assassinadas na casa da atriz na Cielo Drive. O caso teve enorme repercussão, principalmente devido a notoriedade das vítimas, como Sharon, que estava grávida de 8,5 meses, Jay Sebring, cabelereiro das principais estrelas de Hollywood e Abigail Folger, herdeira do Café Folger, e também pelos aspectos macabros da cena do crime, com muitas características ritualísticas e crueldade inacreditável.

Sharon Tate, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, Jay Sebring e Steven Parent.

Sharon Tate, Abigail Folger, Wojciech Frykowski, Jay Sebring e Steven Parent.

Mas, a história não termina por aí e a população Los Angeles assiste chocada a notícia de que outro assassinato havia acontecido na noite do dia 10 de agosto. Desta vez, as vítimas são um casal de classe média alta, Leno e Rosemary LaBianca. Mortos em sua casa, na Waverly Street. Outra cena bizarra! Mas, desta vez, a proximidade destas vítimas, pessoas comuns, traz um medo ainda maior à população. Ninguém estava seguro!

Leno e Rosematy LaBianca

Leno e Rosemary LaBianca

A investigação toda teve grandes impasses. Durante meses, os casos não foram conectados, apesar de terem elementos absolutamente semelhantes, como as palavras escritas com o sangue das vítimas nas paredes. Provas foram corrompidas e evidências, como a arma do crime, levaram meses para serem encontradas, por falta de comunicação entre os departamentos. Somente em novembro, o caso começaria a ser desvendado. Entram em cena, então, a Família Manson e seu guru, Charles Manson – um dos personagens mais bizarros e populares da história.

Charles Manson

Charles Manson

O caso causou uma comoção sem igual! Jovens “hippies”, normais e bonitos, que poderiam ser seus vizinhos, boys and girls next door, completamente controlados por um mentor, ao ponto de matar pessoas completamente desconhecidas e sem apresentar nenhum pingo de remorso, inclusive dispostos a levar toda a culpa por ele. O poder de Charles Manson vai muito além disso. Performances intensas no tribunal, seguidores fiéis, que acampam em frente ao tribunal em protesto, entrevistas na Rolling Stones, uma filosofia baseada em músicas dos Beatles e Apocalipse – elementos que o fazem virar um ícone cultural, com centenas de jovens se identificando e até mesmo abandonando tudo para virar parte da Família.

Leslie Van Houten, Susan Atkins e Patricia Krenwinkel

Leslie Van Houten, Susan Atkins e Patricia Krenwinkel

O livro é sensacional, Bugliosi nos leva através da história, primeiro pela investigação da polícia e depois seguindo todos os seus passos ao ser chamado para ser o promotor do caso. Temos acesso a provas que não foram admissíveis no julgamento, dezenas de depoimentos e casos provavelmente interligados. O julgamento em si, desde a luta para provar uma teoria tão inacreditável sobre o motivo dos assassinatos, como condenar Charles, sendo que ele não estava presente enquanto os crimes foram cometidos, as ameaças da família e as mortes durante o julgamento, são impressionantes. São quase 700 páginas, mas passa em um minuto.

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A biografia de Charles Manson – Manson, de Jeff Gunn, publicada pela Darkside Books, nos leva a fundo em sua vida, desde a história conturbada de sua mãe, seus traumas de infância, até suas diversas passagens por reformatórios e prisões. Tudo isto, nos mostra melhor, como ele desenvolveu um poder de persuasão tão grande. Quais suas influências, suas motivações, suas ambições tão grandes e despedaçadas. Mas, nada que justifique suas ações! O livro traz uma descrição incrível da sociedade na época. Todos os eventos e tensões sociais que a permeavam e como tudo isso criou um ambiente perfeito para um homem com suas habilidades de convencimento. Como o próprio autor diz: “Charles Manson sempre foi o homem errado no lugar certo e na hora certa”. O capítulo Berkeley e o Haight já valeriam a leitura toda. Diferente de Helter Skelter, Manson conta a história de maneira linear e não se preocupa em ser ater somente aos fatos devidamente comprovados, como, por exemplo, a parte em que menciona que Charles teria ido à casa de Sharon Tate, depois do crime, durante a madrugada, para organizar como ele queria. Um fato que não tem testemunhas oculares, nem evidências físicas. Mas que faz sentido!

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Fica a sugestão de dois livros excepcionais sobre uma história tão assustadora, com personagens tão notórios, que não envelhece jamais!

Nota do blog:

  • Helter Skelter – 05/05
  • Manson – 04/05
Sharon Tate

Sharon Tate

P.S.: Assistam ao filme Helter Skelter (2004), dirigido por John Gray. Sensacional! Susan Atkins do filme me mata de medo!!!! O documentário The Manson Women também vale muito a pena!